Aprendendo com Leonardo da Vinci

Estou estudando a história para compreender como os grandes gênios realizam esplêndidas obras de arte. Como eu disse no meu último post, não acredito em dom e, por isso, acho fundamental selecionarmos alguns artistas que temos consideração e, então, estudarmos a sua história para modelar os seus hábitos e comportamentos.

O que me fascina em Leonardo da Vinci são os seus traços que, ao menos na minha concepção, eram muito avançados para a época em que ele se encontrava. Um de seus desenhos que me chamou muito a atenção foi o perfil de um guerreiro que ele criou ainda quando estava no ateliê de Andrea del Verrocchio (seu primeiro mentor).

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Perfil de um guerreiro de Leonardo da Vinci. Fonte: Leonardo da Vinci de Walter Isaacson

Pouco se fala desse desenho talvez por ter sido derivado de uma ilustração feita por Verrocchio. Quando eu vi a sua gravura pela primeira vez, fiquei pensando: “olha só a riqueza de detalhes! Como eu gostaria de fazer algo igual.” Muita gente pode afirmar: “sim, claro que Leonardo da Vinci era capaz de fazer isso. Ele tinha o dom!” O que geralmente não é afirmado é que Leonardo era extremamente observador.

Há um episódio na vida de Leonardo em que ele encontrou uma caverna com fósseis de uma baleia. Se for verídica essa história, isso só confirma a sua curiosidade pela natureza. Se alguém não vê motivos pelo qual devemos preservar a natureza, posso dizer que artistas apreciam muito a sua riqueza.

Além de ser um amante da natureza, Leonardo questionava sobre tudo, até mesmo por que o céu era azul. Ele dedicava o seu tempo para saber se um pássaro subia ou abaixava a asa mais rapidamente. Essa curiosidade de Leonardo que o levou a ter o domínio que tinha do pincel através de muito estudo e observação.

Atento a essas características que Leonardo tinha, resolvi fazer uma caminhada por Rancho Queimado (uma cidade do interior de Santa Catarina) para me inspirar na natureza. Levei o meu celular para bater fotos de qualquer coisa que achasse interessante e, a partir da imagem de um cogumelo, criei um cenário amigável e com um toque de fantasia.

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Foto de cogumelo batida numa caminhada na natureza de Rancho Queimado.
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Desenho inspirado na foto de cogumelo.

Também não pude deixar de observar as moradias que existem em Rancho Queimado. Elas também me ajudaram a fantasiar um pouco e, junto com a inspiração em obras de outros artistas que encontrei num livro de história dos meus sobrinhos e no Pinterest, criei alguns desenhos que me deram momentos de prazer e foco.

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Desenho feito em Rancho Queimado após uma caminhada analisando as moradias da pequena cidade.
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Peixe roxo inspirado num livro dos meus sobrinhos, A Pequena Sereia (adaptação de Angela Müller de Toledo e ilustrações de Adilson Farias).

O que consta na história também é que, para ter criatividade e inspiração, Leonardo passava alguns tempos sem fazer nada. Quando ele pintava A Última Ceia, conta-se que ele teve problemas com um um prior que reclamou sobre a sua “preguiça” para Ludovico Sforza (financiador de A Última Ceia e duque de Milão). No entanto, Leonardo se defendeu dizendo que, para ter criatividade, era necessário até mesmo procrastinar.

Acho que Leonardo quis dizer que é preciso de um momento de abstração para o artista se inspirar. Nesse momento, nós relaxamos e as ideias começam a fluir. Um fenômeno interessante é quando tomamos banho: várias ideias aparecem quando estamos justamente escorrendo água sobre a nossa cabeça. Ainda não explorei as razões para isso acontecer, mas seria interessante que inventassem um bloco de notas à prova d’água para anotar as ideias que temos durante a ducha (se é que já não existe).

No entanto, Leonardo já foi conhecido por não terminar as suas obras de arte. Uma vez li um livro de Steven Pressfield chamado The War of Art. O livro falava sobre o conceito de Resistência, o que provavelmente era uma das barreiras de Leonardo. A Resistência é descrita como uma força que usa qualquer ferramenta (racionalização, inspiração de medo e ansiedade, ênfase em distrações, aumento da voz do crítico interior, etc) para parar a fluidez de criação de um indivíduo. Tal barreira aparece na vida de praticamente todos os artistas e é importante saber como lidar com ela.

Faz tempo que li esse livro de Steven Pressfield e não lembro que soluções ele dá para a superar a Resistência. Entretanto, eu parto muito do princípio de que, para começar a fazer algo (principalmente peças de arte), você tem que simplesmente se sentar e começar a fazer. Tomar o primeiro passo é simplesmente o destruidor de desculpas que temos para não fazer algo (as quais podem variar desde não ter o lápis certo para desenhar até problemas emocionais que tivemos na infância).

Inspirar-se na vida de outros artistas ajuda muito no meu processo de aprendizado. Além de sanar a minha curiosidade, coloca ainda mais pra baixo o mito de que desenhar bem é uma questão de dom. Leonardo da Vinci não aparentava saber desenhar e pintar por questão de dom, e sim por ter muito amor pela arte e natureza.

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