Furiosity e os Bauakas

Há algum tempo, eu tive a ideia de criar um robozinho inspirado no Curiosity (aquele robô usado para explorar a superfície de marte). Também tive influência da animação Wall-E e personagens do jogo Rayman Origins. A partir de toda essa inspiração, eu criei o robozinho explorador de planetas Furiosity:

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Vistas frontal e lateral de Furiosity
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3/4 de Furiosity

O Furiosity é um robô enviado pela Terra para explorar um planeta distante. Quando ele desce nesse planeta, encontra criaturas amigáveis e brincalhonas (os Bauakas), as quais colocam Furiosity em apuros e aventuras. A princípio, Furiosity parece ser um robô ingênuo e até mesmo com um semblante triste, mas que, quando tocam suas emoções mais profundas, torna-se um robô corajoso e bravo.

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Furiosity sendo segurado por um Bauaka

É estranho pensar que um robô tenha sentimentos, mas Furiosity é diferente. Eu quis deixar evidente a marca de tristeza e medo do Furiosity para que exista um contraste bem forte dos seus momentos de coragem. Furiosity seria um robô com um poder imenso que não consegue reconhecer.

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Furiosity triste e alguns esboços de seu olho.

Os Bauakas são criaturas que vivem numa espécie de sistema tribal. Eles vivem felizes em seu planeta e gostam muito de brincar e se divertir. A versão definitiva de Bauaka tem as pernas longas e rosto parecido com o de um sapo.

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Vistas de um Bauaka de perna longa.
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Algumas poses diferentes do Bauaka

Gosto muito de criar diferentes universos e personagens. Apesar da minha habilidade não muito desenvolvida com desenho, eu vou dando continuidade à construção de Furiosity e os Bauakas.

Quando eu tiver mais novidades sobre o universo de Furiosity e os Bauakas, estarei postando aqui no blog, portanto, pra quem tiver interesse, é só ficar ligado.

Abraços e até a próxima!

Arriscando-me com a pintura digital

Eu tenho uma mesa digitalizadora da Wacom (antiga CTL-460) e, apesar de já ter deixado a ponta da sua caneta bater diversas vezes no chão, ela ainda funciona (definitivamente recomendo a marca). Eu a utilizava raramente, mas, nas últimas semanas, tenho me arriscado a fazer algumas pinturas digitais com ela.

Uma de minhas primeiras pinturas digitais desse ano foi um unicórnio que fiz pra minha priminha. Eu simplesmente coloquei a mão na massa para criá-lo, sem questionar muito os meus conhecimentos de proporção, forma, tonalidade, iluminação, composição e sombreamento (entretanto, fiquem à vontade para criticar).

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Unicórnio criado usando o software Adobe Photoshop

Às vezes a inspiração pode vir a partir da obra de outros artistas, e foi assim que resolvi fazer uma versão customizada de um polvo criado pela minha sobrinha de 2 anos.

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À esquerda, polvo criado pela minha sobrinha e, à direita, versão customizada

É claro que a minha noção de iluminação e sombreamento ainda não é apurada. Os meus desenhos e pinturas são extremamente amadores e acredito que demore muito tempo para eu começar a criar algo de maior expressão e precisão.

Por último, eu arrisquei fazer um autorretrato no estilo Disney, mas com pintura digital. Essa imagem, em que estou sem barba, foi baseada num desenho antigo meu.

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Ainda é um pouco complicado dar como finalizadas as minhas peças de pintura digital. Como eu não tenho muita ideia se a iluminação e sombreamento estão bons, eu simplesmente finalizo através de um achismo ou quando eu estiver muito cansado da pintura.

Estou matriculado num curso de pintura digital que vai começar em setembro. O meu ponto fraco é realmente a iluminação e sombreamento. Pelo o que eu vi no calendário do curso, a iluminação  e sombreamento só vão ser abordados quase que no meio do curso, então só vou começar a me especializar nessa questão talvez ano que vem.

Não tenho muita pressa para aprender essas questões. Enquanto isso, posso fazer os meus rabiscos e estudos de pose e, quando achar um material bom, dedicar-me aos estudos de sombra e luz.

A pintura digital dá uma maior precisão do que você quer criar. Hoje em dia, se tiver um bom hardware, você pode criar cenários com resoluções imensas, adicionando diversos detalhes. Ainda estou aprendendo a manipular a mesa digitalizadora, mas fico em feliz em usá-la para deixar a minha imaginação aflorar (mesmo que o resultado ainda não fique tão bom).

Aprendendo com Leonardo da Vinci

Estou estudando a história para compreender como os grandes gênios realizam esplêndidas obras de arte. Como eu disse no meu último post, não acredito em dom e, por isso, acho fundamental selecionarmos alguns artistas que temos consideração e, então, estudarmos a sua história para modelar os seus hábitos e comportamentos.

O que me fascina em Leonardo da Vinci são os seus traços que, ao menos na minha concepção, eram muito avançados para a época em que ele se encontrava. Um de seus desenhos que me chamou muito a atenção foi o perfil de um guerreiro que ele criou ainda quando estava no ateliê de Andrea del Verrocchio (seu primeiro mentor).

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Perfil de um guerreiro de Leonardo da Vinci. Fonte: Leonardo da Vinci de Walter Isaacson

Pouco se fala desse desenho talvez por ter sido derivado de uma ilustração feita por Verrocchio. Quando eu vi a sua gravura pela primeira vez, fiquei pensando: “olha só a riqueza de detalhes! Como eu gostaria de fazer algo igual.” Muita gente pode afirmar: “sim, claro que Leonardo da Vinci era capaz de fazer isso. Ele tinha o dom!” O que geralmente não é afirmado é que Leonardo era extremamente observador.

Há um episódio na vida de Leonardo em que ele encontrou uma caverna com fósseis de uma baleia. Se for verídica essa história, isso só confirma a sua curiosidade pela natureza. Se alguém não vê motivos pelo qual devemos preservar a natureza, posso dizer que artistas apreciam muito a sua riqueza.

Além de ser um amante da natureza, Leonardo questionava sobre tudo, até mesmo por que o céu era azul. Ele dedicava o seu tempo para saber se um pássaro subia ou abaixava a asa mais rapidamente. Essa curiosidade de Leonardo que o levou a ter o domínio que tinha do pincel através de muito estudo e observação.

Atento a essas características que Leonardo tinha, resolvi fazer uma caminhada por Rancho Queimado (uma cidade do interior de Santa Catarina) para me inspirar na natureza. Levei o meu celular para bater fotos de qualquer coisa que achasse interessante e, a partir da imagem de um cogumelo, criei um cenário amigável e com um toque de fantasia.

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Foto de cogumelo batida numa caminhada na natureza de Rancho Queimado.
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Desenho inspirado na foto de cogumelo.

Também não pude deixar de observar as moradias que existem em Rancho Queimado. Elas também me ajudaram a fantasiar um pouco e, junto com a inspiração em obras de outros artistas que encontrei num livro de história dos meus sobrinhos e no Pinterest, criei alguns desenhos que me deram momentos de prazer e foco.

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Desenho feito em Rancho Queimado após uma caminhada analisando as moradias da pequena cidade.
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Peixe roxo inspirado num livro dos meus sobrinhos, A Pequena Sereia (adaptação de Angela Müller de Toledo e ilustrações de Adilson Farias).

O que consta na história também é que, para ter criatividade e inspiração, Leonardo passava alguns tempos sem fazer nada. Quando ele pintava A Última Ceia, conta-se que ele teve problemas com um um prior que reclamou sobre a sua “preguiça” para Ludovico Sforza (financiador de A Última Ceia e duque de Milão). No entanto, Leonardo se defendeu dizendo que, para ter criatividade, era necessário até mesmo procrastinar.

Acho que Leonardo quis dizer que é preciso de um momento de abstração para o artista se inspirar. Nesse momento, nós relaxamos e as ideias começam a fluir. Um fenômeno interessante é quando tomamos banho: várias ideias aparecem quando estamos justamente escorrendo água sobre a nossa cabeça. Ainda não explorei as razões para isso acontecer, mas seria interessante que inventassem um bloco de notas à prova d’água para anotar as ideias que temos durante a ducha (se é que já não existe).

No entanto, Leonardo já foi conhecido por não terminar as suas obras de arte. Uma vez li um livro de Steven Pressfield chamado The War of Art. O livro falava sobre o conceito de Resistência, o que provavelmente era uma das barreiras de Leonardo. A Resistência é descrita como uma força que usa qualquer ferramenta (racionalização, inspiração de medo e ansiedade, ênfase em distrações, aumento da voz do crítico interior, etc) para parar a fluidez de criação de um indivíduo. Tal barreira aparece na vida de praticamente todos os artistas e é importante saber como lidar com ela.

Faz tempo que li esse livro de Steven Pressfield e não lembro que soluções ele dá para a superar a Resistência. Entretanto, eu parto muito do princípio de que, para começar a fazer algo (principalmente peças de arte), você tem que simplesmente se sentar e começar a fazer. Tomar o primeiro passo é simplesmente o destruidor de desculpas que temos para não fazer algo (as quais podem variar desde não ter o lápis certo para desenhar até problemas emocionais que tivemos na infância).

Inspirar-se na vida de outros artistas ajuda muito no meu processo de aprendizado. Além de sanar a minha curiosidade, coloca ainda mais pra baixo o mito de que desenhar bem é uma questão de dom. Leonardo da Vinci não aparentava saber desenhar e pintar por questão de dom, e sim por ter muito amor pela arte e natureza.

Voltando a desenhar e pintar

Nos últimos anos, eu me desconectei muito da arte e do desenho e achava que o meu caminho não era esse. O que me acontecia é que fui muito iludido pelo sucesso rápido prometido por outras áreas, entretanto, esse tipo de sucesso não existe.

Felizmente, eu desenhei muito desde a minha infância e, por causa disso, voltar a pegar num lápis HB e 6B não foi tão difícil. É muito bom arrastar a ponta do grafite no papel áspero para desenho, ato que mexe com muitos dos nossos sentidos.

Mas a minha primeira arte depois de ficar sem praticar por muito tempo foi feita com a minha mesa digitalizadora. Eu resolvi começar 100% a partir da minha imaginação e coloquei apenas os meus gostos e criatividade na pintura. É claro que passo por um momento na vida em que a criatividade não é o meu forte, mas posso dizer que deixei as “ideias fluírem”.

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Ainda que o desenho acima não seja genial de um ponto de vista técnico, ele despertou aquela paixãozinha adormecida que eu tinha em mim. Isso levou a eu querer comprar um sketchbook e alguns materiais de desenho novamente (não sei como, mas os meus materiais antigos de desenho se perderam).

O meu primeiro desenho no sketchbook foi a criação de dois amigos festejando numa floresta. Acho que eu estava tão feliz com o fato de voltar a desenhar que queria expressar isso através dos meus personagens. Fiz o esboço do desenho com lápis HB, contornei posteriormente com caneta nanquim e, então, pintei com lápis aquarelável.

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Ao ver os meus sobrinhos fazendo apresentações do folclore de Florianópolis, resolvi desenhar algumas versões de Bernunça. A primeira fiz o esboço com lápis HB e contornei com tinta nanquim, enquanto que a segunda esbocei com lápis HB e sombreei com lápis 6B e 9B.

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Apesar de ainda não estar fazendo aulas de desenho e pintura, quero aprender pintura digital e trabalhar na área. Eu realmente não acredito em dom e, para aprender a desenhar bem, acho que você tem que se esforçar muito e se dedicar.

Portanto, estou desenhando e pintando todos os dias e, ao mesmo tempo, lendo a biografia de Leonardo da Vinci. Pelo pouco que conheço sobre ele, tenho noção que era autodidata e amante da natureza. Por essas e outras que me identifico muito com ele.

Voltar a desenhar e pintar reavivou a minha alma e me deu um senso de propósito que eu não me dei conta que existia. Faço com muito amor os meus desenhos e tento enxergar com carinho mesmo aqueles que eu não gosto.

O caminho para me tornar um mestre na arte de desenho e pintura provavelmente vai ser difícil e vou ter muitos desafios. Enquanto trilho esse caminho, vou nutrindo a minha paixão pela arte que me beneficia com o fenômeno de não se ver o tempo passar.